Poço sem fase livre significa aqüífero sem fase livre?

     Poço de observação é a ferramenta básica dos trabalhos de hidrogeologia de contaminação. Quando se trata de fase livre de produto menos denso do que a água (LNAPL, trataremos do DNAPL, mais denso em outro artigo), a espessura da lâmina de fase livre no interior do poço é fundamental no projeto de remediação.

     Em resumo, a partir de um vazamento de um LNAPL (do inglês 'light non-aqueous phase liquid') na zona não-saturada, este migra por gravidade até atingir o topo da franja capilar, onde se acumulará até passar a migrar lateralmente. Ao se perfurar um poço de observação que atravesse a zona contaminada em toda sua espessura, o LNAPL tende a migrar para o interior do poço, acumulando-se sobre a água que para ali também migrou. Por diferença de densidade e por capilaridade, a espessura de LNAPL no interior do poço não é idêntica à espessura no aqüífero adjacente ao poço, é maior. Tipicamente varia entre 2 a 9 vezes a espessura no aqüífero. Esta variação depende da densidade do LNAPL, da sua tensão interfacial e da dimensão dos poros do aqüífero.

     A diferença de densidades gera uma diferença de mais fácil entendimento do que a capilaridade, por se tratar de um problema de hidrostática de colégio, o problema do 'tubo em U'. Como o LNAPL é menos denso do que a água, será necessária uma coluna de produto maior para se igualar à pressão gerada pela coluna de água (neste caso, os dois membros do 'tubo em U' seriam o interior do poço e o aqüífero). Esta é uma solução simples usualmente utilizada para a correção do valor do nível d'água na confecção dos mapas potenciométricos utilizando-se poços com presença de fase livre.

     Já a tensão interfacial e a dimensão dos poros são mais difíceis de se mensurar. Mas o conceito importante é que, sendo a água o fluido molhante do aqüífero (os minerais formadores do meio poros estão preferencialmente cobertos por uma camada de água adsorvida), a água tende a invadir preferencialmente os menores poros. Por exclusão, o LNAPL invadirá, portanto, os poros maiores, aqueles onde a pressão gerada pela coluna representada pela espessura de produto no aqüífero permitam que seja vencida a pressão capilar contrária gerada pela água. Ou seja, é necessário que exista uma espessura mínima para que o LNAPL invada os poros e migre para o interior do poço.

     Esta é uma informação preciosa, uma vez que quando da perfuração inicial, onde a espessura era bem maior do que esta espessura crítica, o LNAPL migra facilmente para o interior do poço. À medida que se bombeia o poço para a retirada da fase livre, mais LNAPL migra para o poço. O bombeamento continua até que não haja mais produto no interior do poço, quando então a remediação da fase livre termina. Portanto, quando cessa a migração de produto, ainda haverá uma espessura mínima de produto sobre a franja capilar que não migra mais por não vencer a força capilar. O risco que a migração da fase livre representava (quer seja o de se atingir locais próximos ou mesmo o de se aumentar a área da fonte de contaminação para as águas subterrâneas que ela significa) foi eliminado. Entretanto, ainda haverá uma transferência de produto para a fase vapor da zona não-saturada que é muito superior àquela representado pela transferência proveniente da fase dissolvida. Com isso, qualquer análise de risco deverá ser muito rigorosa, uma vez que ainda existirá no aqüífero uma lâmina (milimétrica a centimétrica) de LNAPL.

     A definição de fase livre é produto puro imiscível móvel presente no aqüífero, isto é, que migra. A sua diferença para fase residual está na mobilidade, uma vez que esta é produto puro imiscível imóvel presente no aqüífero. Logo, a ausência de fase livre no poço indica a ausência de fase livre no aqüífero, muito embora todas as considerações para a análise de risco deverão ser feitas como se a fase livre estivesse lá, uma vez que a transferência de massa para a fase vapor não se altera.

olho: Sendo a água o fluido molhante do aqüífero (os minerais formadores do meio poros estão preferencialmente cobertos por uma camada de água adsorvida), a água tende a invadir preferencialmente os menores poros

 

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Mudança Acionária

     No último dia 30 de novembro, a Weatherford Internacional, Inc. adquiriu a Johnson Screens, à qual a pertence a Johnson Filtros do Brasil. A Johnson Screens, Inc. é a nova empresa do grupo Weatherford Internacional, Inc.

     A Weatherford é uma das quatro maiores companhias de serviço petrolífero no mundo e tem mais de 16 mil empregados em mais de 460 localidades, em 54 países. A empresa é líder no fornecimento de filtros de areia convencionais e expansíveis de energia e indústrias de serviços municipais. A Weatherford proporciona altas tecnologias de desempenho e serviço superior que maximiza a perfuração, completação e operações de produção. A integração com Weatherford proporciona valor inestimável aos clientes tanto nas Américas como em todo o mundo.

 
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