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Cresce o interesse e a produção técnico-científica sobre águas subterrâneas no país
A Produção técnico-científica relacionada ao meio ambiente e águas subterrâneas bateu  recordes com a realização do V CIMAS – V Congresso Internacional de Meio Ambiente Subterrâneo, que começou nesta segunda-feira, 30 de outubro, em São Paulo, na sede da Fecomércio.
 
O evento, realizado em paralelo ao 2º Encontro Técnico de Produtos e Soluções para Águas Subterrâneas e à Fenágua – Feira Nacional da Água, trouxe além dos 109 trabalhos científicos, cerca de 250 técnicos, especialistas e representantes do setor público para debater temas como modelos de gestão de águas subterrâneas,  tecnologias, regularização de poços, auditoria de águas contaminadas, avaliações ecotoxicológicas (água e solo) e muitos outros. O aumento do interesse fez com que os organizadores ampliassem o espaço para as apresentações orais, que contam com 29 trabalhos expostos.
 
Medidas de proteção
 
De acordo com o presidente do congresso, Everton de Oliveira, a mobilização em torno da boa gestão das águas subterrâneas deve ser uma constante. “No Brasil e em todo o planeta são necessárias medidas que protejam não apenas a água e o solo, mas principalmente os usuários”, salienta.
 
Apesar da grande quantidade de água, existe o risco de escassez decorrente da falta de infraestrutura e de gestão adequada desse recurso. Há também as interferências geográficas, já que a grande concentração de água não está necessariamente nos locais de maior necessidade.
 
Estudos hidrológicos recentes estimam que o volume total da água de superfície existente no planeta – córregos, rios e lagos – equivale a aproximadamente 120 mil quilômetros cúbicos e correspondem a apenas um centésimo do volume estocado nos reservatórios subterrâneos, estimado a 10.3 milhões quilômetros cúbicos.
 
Fornecimento garantido
 
O geólogo José Paulo Neto, presidente da Associação Brasileira de Águas Subterrâneas (ABAS), reafirma que o Brasil possui mananciais de grande magnitude de água subterrânea, que precisam de boa gestão para manter essa disponibilidade. “O brasileiro não corre o risco de ficar sem água subterrânea, mas está suscetível a consumir água contaminada, em razão de más políticas de gestão”, alertou.
 
Segundo ele, os poços artesianos não vão esgotar os aquíferos subterrâneos, tampouco acabar com a água do planeta, nem se pode impedir o direito de uso baseado em interesses econômicos. “Embora muitas pessoas não saibam, as águas subterrâneas geram entre 600 mil a 1 milhão de empregos diretos e indiretos, garantindo o abastecimento de 48% da população brasileira”, diz Neto.
 
Contaminação
 
Diferentemente das águas superficiais, expostas facilmente à contaminação, as águas subterrâneas são mais protegidas contra os poluentes, por estarem entre espessos estratos de rochas. Mas em algumas situações podem, assim como as águas superficiais, estar sujeitas a certo grau de poluição decorrente da contaminação do solo por produtos químicos de origem agrícola (pesticidas), industrial (chumbo e outros metais pesados) e residencial (esgoto doméstico).
 
Para o professor Roberto Braga, da Unesp, nesses casos deve ser avaliada não apenas a agressão contaminante, mas a vulnerabilidade do ambiente afetado pela contaminação. “Essa vulnerabilidade depende de três fatores: exposição e sensibilidade ao contaminante, capacidade adaptativa ou de resposta ao efeito adverso e o atributo da população exposta”, observa.
 
De acordo com Braga, essa vulnerabilidade deve ser reduzida como uma das formas de se compensar a contaminação deixada para as gerações futuras. Essa redução deve ser aliada a outras metas, como fomentar trabalhos de desenvolvimento sustentável e ações de compensação de contaminação.
 
Sobre águas subterrâneas
 
A disponibilidade hídrica no Brasil é, segundo a ABAS, estimada em aproximadamente 350 mil metros cúbicos por pessoa. Em Israel, por exemplo, essa proporção é estimada em apenas 35 metros cúbicos e não existe preocupação com falta de água devido à eficiência na gestão. O sistema hídrico israelense depende integralmente de poços artesianos.
 
Os mais  importantes aquíferos brasileiros são: Barreiras (costa nordeste e norte do Brasil); Solimões e Alter do Chão (Amazônia); Cabeças, Serra Grande e Poti-Piauí (estados do Piauí e Maranhão); Açu (no Rio Grande do Norte) e São Sebastião (na Bahia).
Caríssimas, caríssimos,
 
Notícias do V CIMAS
 
A realização do V CIMAS – V Congresso Internacional de Meio Ambiente Subterrâneo, em conjunto com o 2º Encontro Técnico de Produtos e Soluções para Águas Subterrâneas e com a Fenágua – Feira Nacional da Água, já conta com impressionantes mais de 500 inscritos, um recorde. A imensa procura atesta o acerto da iniciativa, com ganho de exposição de informação para todos os participantes e expositores. Participe, a visitação à Fenágua é de livre acesso. 
 
O evento recebeu a submissão 109 trabalhos científicos, refletindo também mostrando aumento no interesse em relação à última edição. Parabéns a todos os pesquisadores e profissionais da área participantes do evento pela sua produção técnico-científica. O aumento do interesse fez com que ampliássemos o espaço para as apresentações orais, que contarão com 29 trabalhos expostos. 
 
O professor John Cherry teve um imprevisto que lhe forçou a fazer sua presença no evento através de vídeo-conferência em tempo real. Ele se desculpou muito e pediu que transmitíssemos as suas sinceras desculpas a todos os que se interessam pelo seu trabalho. Ele se comprometeu a vir ao país em retribuição ao grande esforço de profissionais brasileiros na tradução do seu livro “Groundwater” para o português. O início da distribuição do seu livro já traduzido deverá ocorrer em breve, juntamente com o lançamento da sua iniciativa “The Groundwater Project”, uma plataforma educativa que deverá distribuir conhecimentos de alto nível em hidrogeologia gratuitamente pela internet. Aguardem e acompanhem, boas coisas estão por acontecer. 
 
Parabéns a todos os envolvidos e bom evento a todos. Nos vemos na segunda-feira, até lá. 
 
 
Everton de Oliveira
Presidente do V CIMAS

 

 

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